Recomeço



A essa altura da vida
todos os caminhos se fecham.

Olho pela janela.

Percorri todas as estradas,
todos os caminhos
todos os possíveis atalhos.

O sol começa a se pôr.

A criança que deixei no caminho tenta me ajudar, mas
ela está presa...

...do outro lado

Sinto por ela
por mim

Já não sinto...

O sol se pôs.

Começa a escurecer...
A aflição aumenta
gradativa
até chegar no ápice:

a loucura...

Olho pra ela, a criança.
Fica cada vez mais distante

Está frio ...
o vento provoca arrepio...

Paro!
Respiro!
Reflito!

Mais calma...
a vejo de novo.
A criança.
do outro lado

Ela grita...
mas não escuto

A observo
Compreendo
que quer me mostra
a existência de uma ponte

Pequena, velha e perigosa...

Ela me chama, me anima...

Eu vou, mas tenho medo...
fecho os olhos

quase caiu....

então sinto algo em meu rosto...

Então compreendo.....

Raios de sol anunciam sua volta
e sinto que uma nova chance começa a nascer.

"Me abrace e me dê um beijo faça um filho comigo"



- Um sábado...
tuti..tuti..tuti..tum...tum
uau!!!
psiu...
er..ahn...
smack...smack!!!


- 3 anos depois...
tan, tan, tantan...tan, tan, tantan
Clap! clap! Clap! plec! plec!
vrommm...vrommm..fom..fom..

Slurp! lamb! Whew!
uf!A%hum $&ei #@#god##*ui"@#god##*ui *%¨¨&$%¨$ai @#@ui :#$$@@je@#@$">#$$@@je@#@$@
(.........................)

- 9 meses depois...
Gasp! Ufa! ...Gasp! Ufa!
1,2,3....
aeeeee!!!
tap..tap...
buaaaaa...buaaaaaaaa
snif..snif...
chuá..chuá...chuê...chuê
glub...glub..
hum...hum...
nananenem....nananenem....
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!!!

The first time



Escolher o lugar certo para fazer as coisas pela primeira vez é algo que não sai da minha cabeça. Aquela frase clichê diz que "tudo tem sua primeira vez", que pode ser, ou não, a mais especial. Eu diria que tende a ser a mais inesquecível.

Para primeiro ano eu escolheria um lar, onde encontre amor e aconchego. Para primeiro dia de aula eu escolheria o colégio onde eu encontrasse os grandes amigos do resto da vida. Para primeira "aula matada" fico com a pracinha perto do colégio tomando sorvete com as amigas. Para o primeiro beijo, uma festa inebriada de agitação juvenil propiciando a sensacional experimentação de descontrole hormonal. Para primeiro amor, o bucolismo do campo onde não toque o celular e faça o frio mais convidativo aos corpos nus se esquentando. Para primeiro trabalho, o local mais acolhedor onde encontre uma família. Para a primeira viagem com os amigos, escolheria a energia da multidão reunindo música, alegria, insanidade e o pôr-do-sol inesperado depois da chuva. Para primeira viagem a dois fico com a escolha dele. Para primeiro porre escolheria a casa da minha melhor amiga e que Deus a colocasse lá na hora. Para a primeira grande decepção, o meu quarto. Para primeiro curso superior, escolheria a universidade onde econtrasse compentências que me alertariam sobre minhas incompetências. Para primeiro casamento, o cartório caso fosse um analista de sistema, a igreja caso fosse médico, um sitiozinho caso fosse um administrador e um pára-quedas caso fosse um engenheiro. Quanto ao primeiro filho escolheria fazê-lo nas 4 paredes cotidianas que guardam uma felicidade natural. Mas, escolheria criá-lo no mais urbano dos locais, onde tudo pode acontecer. Para primeira grande despedida, o colo da minha mãe, antes, durante e depois. Para o primeiro texto sobre escolher os lugares para fazer as coisas pela primeira vez, eu fico com os nós e com a rede (o não lugar).

Across The Universe


Mais um dia frio de inverno.
As folhas caíam lentamente das árvores...
O vento soprava desesperado.
Parecia querer levar tudo
Pra bem longe...

Uma música invade o quarto
Across the Universe.
Toca a alma

E assim segue o dia..
Parado...Frio...Triste...Distante

Uma palavra poderia mudar tudo..
Mas ela não chega
Já certifiquei tantas vezes, na janela aberta,
só o vento balança a cortina...

Surge uma lembrança
A vontade de voltar no tempo e fazer
daquele dia mais feliz

Colher as flores que surgiram na primavera
E guardá-las para o inverno

Mas é impossível vencer o tempo...
Não há como desdobrá-lo
E a chance que ficou
Se foi pra sempre...

Como as folhas que caíam lentamente da árvore do meu jardim
Perdi seu abraço naquela noite
E para mim só restava observar tudo
e aprender a lição

Fiquei só! num dia bucólico

Coração maior do mundo


Pensei em algo que pudesse me fazer ter forças pra continuar.
Estaria mentindo se dissesse que não encontrei nenhuma razão. Achei várias. Mas precisava de algo maior, que mudasse tudo de uma forma grande, bem expressiva.


CORAÇÃO maior do mundo *

Tinha muito tempo que não ouvia sua voz, mas ela estava tão presente em minha memória que eu jamais poderia esquecer. Nesta vida se escuta muito sobre amor, se vê na TV alguns conceitos deste sentimento. Existem muitos que se gabam por ter um grande amor, ou por ser amado demais. Mas, nada se compara ao que ele representa, de fato. Porém, as coisas são bem diferentes, pelo menos foi o que você dizia. Quando me relatou que certa vez conhecerá alguém com um “coração maior do mundo”, fiquei pensativa. O que deveria ser isto?!? Na minha mente não passou nada, indaguei, como sempre. Esperava uma resposta, racional, objetiva. Não tive, não naquele momento. Contudo, suas palavras ainda soavam claras aos meus ouvidos. Cada pausa, cada ênfase, tudo se refazia pra dar sentido a ausência. Lembrar demais pode ser uma dádiva, ou não. Aqueles que recordam com mais frequência sofrem na mesma intensidade de que se alegram. É uma dualidade estranha, que ao mesmo tempo que é inebriante é dolorosa. Fiquei muito tempo na esperança de saber que significado tinham tais palavras, acho que quando não esperava mais, tudo começou a acontecer. Conheci alguém com o CORAÇÃO maior do mundo. Lógico! Não reconheci de primeira, eu nem sabia como era alguém assim. Pude perceber isto, num dia em que vi, realmente, as coisas com outros olhos. Naquele momento percebi que só se percebe este sentimento quando entramos em consonância com as coisas simples e belas. Tudo passou a ter mais sentido. E sua voz repetia cada vez mais alto e forte. Entendi que todos temos um coração maior do mundo, talvez o meu esteja apagado e o seu escondido. Enxerguei isto, quando as lágrimas escorram do seu rosto, num gesto de amizade, abandonou tudo, desprendeu de si mesmo para ajudar alguém.


* Este relato é levemente baseado em fatos reais. Espero que a pessoa a qual me refiro goste da narrativa e não fique zangada comigo.

Asas azuis


Save Africa's Children


O pequeno pássaro voava tenso sobre o céu azul.

Seu esforço era nitidamente perceptível, as asas batiam apresadas, sua respiração estava ofegante. Um observador mais atendo e com um bom ouvido, poderia muito bem ouvir seu coraçãozinho batendo ligeiro. Sim! Ele estava nervoso. Mas muito feliz!
Asas azuis, como são belas, refletem o céu em sua essência. Sua aura envolve, inebria. Foi a primeira imagem que viu, logo ao abrir os olhos. E assim começou a história das asas azuis.
Nunca, em toda a sua existência, esqueceu daquelas asas. Mesmo que, ultimamente, tenha estado tão ocupado que não conseguia mais visualizar aquela imagem, como anteriormente. Os projetos tinham aumentado, estudo, trabalhos, dedicação total, poucos horas de sono, stress . Bom! as coisas tinha melhorado, precisava apenas equilibrar as coisas. Depois de um dia exaustivo, ligou a TV. De madrugada, não tem muita escolha, então, foi trocando de canal apressado, com um movimento quase mecânico. Até! parar estarrecido com a imagem que viu! Crianças, africanas em pele e osso. A visão mais aterrorizadora que viu até hoje. Não conseguiu dormir, só pensava nas crianças. Quase de manhã, sonhou com as asas azuis. E, lembrou do dia em que foram apresentados. Quando criança sua mãe costumava lhe contar, todos os dias, uma história para que eu pudesse dormir. Era a hora mais esperada do dia. A história que mais marcou foi das asas azuis. O conto infantil, contava a história de um pequeno pássaro, indefeso e inseguro, que temia de todos os modos, alçar seu primeirovôo . Todos os outros pássaros já tinham conquista tão proeza. Ele fazia de tudo para atrasar este momento. Mas teve um dia que não teve como fugir. Estava distraído, próximo a um galho de uma árvore. Quando viu uma ave bela epomposa . Tinha asas azuis, imponentes. Ficou extasiado com sua beleza. Num momento contemplativo, perdeu o equilibro e começou a cair. Ficou aflito. Ele tinha que voar. Mas caia lentamente. Em seu delírio tentava alcançar o pássaro de asas azuis. Começou a bater as asas, aflito, seu coração batia apressado. Talvez, fosse muito tarde, mas ele batia as asas com força. Quase no chão. Já não pensava em nada, somente nas asas. Quando os demais passarinhos deram conta da situação, nenhum tentou salvá-lo, achavam que era muito tarde. Então, viu um anjo, com asas belas e imponentes. Ele fora resgatado, quando todos achavam que não seria possível. Lembrou de sua mãe, chorou, só então compreendeu a lição que ela queria lhe passar. Quando todos não acreditam mais em uma causa, e quando tudo parece perdido, ou o problema é tão grande que sentimos tão impotentes. Nobres e poucos, são aqueles que partem em busca do anjo. E abrem mão de tudo para ter asas azuis.
Enfim! compreendeu seu legado. Agora, tinha um desejo tão grande que ultrapassava seu peito. Em seu intimo repetia, o constante desejo.
Quero asas azuis! Pra buscar o anjo!
Save Africa's Children!

Tudo depende de como você vê


Naquela noite pedi um presente.
Ao invés, do meu desejo.
Não pude ver a luz no outro dia.
Tudo ficou confuso na minha mente.
As idéias estavam soltas.
Perdidas na estratosfera.
Fiz uma ligação.
Um pedido de socorro.
Ninguém estava disponível pra mim naquele momento.
Fiquei aflita
Indecisa.
As escolhas já não eram meu maior problema.
Tudo passou como um flash
E vi toda a minha vida
projetada em segundos...
Com raios, clarões, tempestades e flores.
Tracei minhas metas e objetivos.
Ainda pouco, tão confusos.
Era a última chance, pra fazer tudo diferente.
Desta vez iria dar certo.
Agora! é a certeza que não me abandona.
Estava obstinada, não fiz nenhum pedido, nem desejo.
Apostei nas fichas certas.
A tristeza fugiu de mim.
As pressas, furtiva.
Enfim, tornou-se concreto.
Sem mágoas nem lamentações.
O que vi como pesadelo
Tornou-se dádiva

Um desejo que jamais deveria ser atendido.

Peixe grande e suas histórias incríveis, corruptas e reais

Em tempos conturbados da história da humanidade o povo clama por um destemido paladino. Mas qual será a cara do homem corajoso, defensor de valores éticos e morais na atualidade?


Tá certo que não vivemos num bom momento para reconhecermos grandes heróis reais.
Mas precisamos falar de pessoas que conseguem se destacar das demais. Sem deixar de acreditar que a verdade sempre deve ser contada. Não a verdade inventada ou contada por poucos. A narrativa do que aconteceu, de fato, precisa ser recontada para que a humanidade não perca a oportunidade de acertar espelhando-se em seus erros. Bom! É aqui que entrar o peixe grande, aquele mesmo, do filme "Peixe grande e suas histórias maravilhosas". Que narra a trajetória de um homem que gostar de falar sobre suas grandes histórias vividas quando ainda era jovem. Suas histórias são extraordinárias, mas não conseguem atrair a atenção de seu filho. Para reconquistar seu amor, o pai aventureiro tem que separar a ficção da realidade. Porém, ao falar do enredo de Peixe grande tenho o intuito de fazer uma conexão com a pergunta inicial do post. Além de mostra que ainda existem grandes pessoas que arriscam-se e valorizam a fidelidade ao contar os acontecimentos. Eis o nome. Greg Palast. Claro, que grandes relatos é o que não faltam para Greg Palast. Em seu livro "A melhor democracia que o dinheiro pode comprar" entrei em contato com a obra deste jornalista determinado. Tomei gosto pelo jornalismo investigativo , mesmo que o termo seja controverso. O livro faz mais do que relatar as fraudes nas eleições americanas de 2000. Nos mostra a verdade, baseada em dados concretos, minucioso método de pesquisa e provas documentadas e não em farsas mal inventadas. Se alguém quiser ler, sugiro a versão brasileira, que traz fatos importantes sobre o nosso pais em um capítulo especial. Mais que isso, nos faz ver que pisamos em terras escorregadias e perigosas. É preciso estar mais do que atento. É preciso dormir de olhos abertos.

Greg Palast é um jornalista investigativo cidadão dos Estados Unidos que mora e trabalha
na Inglaterra. Ao conferir seu livro vai se deparar com os abusos que costumam impedir a imprensa de atuar e infringem o silêncio que ronda a verdade. E Ver que tudo está a venda, até o que consideramos inimaginável. Ganhou grandes prêmios britânicos de jornalismo. Para conhecer sobre suas investigações é só acessar: http://gregpalast.com/

I love Will


Já são três anos sem Will. Mas sua genialidade, simplicidade e maestria em suas publicações vão ficar pra sempre não memória daqueles que conheciam sua forma de trabalho. Se não conhece o cara está perdendo. Que tal começar por "O Edifício", "Um contrato com Deus e outras histórias de cortiço" ou "The Spirit"?!? Já conversei com algumas pessoas que viravam a cara para as HQ's e acabaram gostando de Will Eisner. Admirado por suas idéias, William Erwin Eisner transformou-se em uma lendas dos quadrinhos, assim como o Bob Kane e Jack Kirby, dentre tantos outros. Só para se ter uma noção, a história de Spirit, personagem que defendia a cidade de Central City do crime e que era publicado em uma espécie de suplemento de quadrinhos dos jornais chegou a ter 5 milhões de leitores por semana. Contudo, ao reler as aventuras do policial e investigador, Denny Colt, que dado como morto, aproveita da situação para lutar contra o crime, deparei com uma conclusão um pouco inusitada. Eisner é claro em suas histórias, é ingênuo, mas esta ingenuidade e simplicidade é que concede o tom certo de suas histórias. Narrativas que prendem, mexem com o imaginário e, principalmente, com a sensibilidade. A adaptação do personagem para as telonas somente faz reviver a grandiosidade do produtor desse grandioso herói. Spirit foge do estereótipo dos já conhecidos heróis super poderosos.


Estava na cara que o desenhista e roteirista tinha criado seu estilo e diferenciava-se dos demais. Além de utilizar efeitos considerados avançados na época para recontar suas aventuras nas páginas das HQ's. Eisner investiu no enquadramento cinematográfico e transportou-o para dar mais vida e movimento aos seus desenhos. Utiliza-se também do ângulo, efeitos luminosos. Não é por menos que é reconhecido no meio dos quadrinhos. O desenhista tem em seu currículo uma passagem pelo Exército Americano, durante a segunda grande guerra. Foi contratado para criar cartazes e histórias em quadrinhos para entreter os soldados. Com certeza, a arte seqüencial mereceu ter entre os seus alguém tão talentoso e especial.

Will Eisner foi professor de quadrinhos na "Scholl of Visual Arts" em New York e é autor de "Comics and Sequential Art", além de ter um prêmio com seu nome, o "Eisner Awards".

Para finalizar nada melhor do que a fala do próprio:

"Eu não choro ou grito quando desenho, mas sinto como se isso acontecesse dentro de mim".
"É duro para qualquer artista honesto se tornar influência para outros criadores: Acredito que cada um precisa ter a mesma perspectiva de um jornalista imparcial". Eisner

Salvador, Isabel e Paula



Quando conheci Salvador, Isabela e Paula percebi que a história de um país depende de pessoas que não apenas fazem a diferença, mas que são a diferença. Conheci Salvador nas aulas de História do Cleiton e a mim foi apresentado um grande marxista que pincelou a história do Chile rumo à construção do socialismo. Nada mais marcante do que sua voz no rádio em um discurso inflamado, o último antes da morte, no Palácio de La Modena. O Golpe de Pinochet sucumbiu Salvador e levou o marxista ao topo da históra chilena. Anos depois quando conheci Isabel, já já conto como foi, ela me apresentou um Salvador diferente, como um tio distante que iniciou a vida política imbuído de um idealismo panfletário, porém elegante. Enfim, minha relação com Salvador ainda mudará com o passar dos anos quando um outro alguém me apresentá-lo novamente. Conheci Isabel em A Casa dos Espíritos, é claro que já escutara falar dela antes, mas neste momento ficamos mais íntimas. Ela é a mais chilena de todas as peruanas que conheço e conquista amigos-leitores com facilidade de quem tem histórias sensacionais para contar e sabe contá-las muito bem. O que ela nos diz de sua família é muito íntimo e ao mesmo tempo comum porque se compartilha a ternura nas nostalgias da infância, adolescência e vida adulta. É por isso que amo as biografias, porque elas são tudo de mim. Logo depois de A Casa dos Espíritos fiquei mais próxima de Isabel não pelo fato de ler Paula, mas por conhecer dentro destas histórias uma jovem chamada Paula. Ali está Isabel mãe-mulher resgatando a Isabel menina. Então, conheci Paula em um momento difícil desta jovem, mas que a mim não foi apresentada em prostação pela porfiria. Conheci uma filha viva fruto de histórias...resultado de histórias...desfecho de histórias... Quando uma mãe expõe as minúcias de ser mãe pode rechear os casos de um monte de lembranças ou elementos políticos, porém o destaque será sempre o aspecto de mãe contadora de histórias. É assim que Isabel nos emociona falando de sua filha Paula.
Estes três personagens tem em comum o reconhecimento mundial que só Allendes alcançaram. Salvador como presidente, Isabel como escritora e Paula como a filha da escritora de Paula.

ps> a imagem é de Arnd Schultheiss e chama-se "12 de Setembro de 1973" o dia após o Golpe Militar chileno e a morte de Salvador Allende.